O que o HMI me ensinou sobre não rotular ninguém

Mulher a caminhar por um caminho no campo, deixando para trás um sinal de madeira com rótulos como ansiosa, teimosa, sensível e controladora

Antes de falar sobre como vejo o mundo, ou sobre os padrões que repito, faz sentido voltar ao início. À ferramenta que me ajudou a começar a olhar para tudo isto: o HMI.

Uma das perguntas que mais ouço quando falo sobre o HMI é sempre parecida: “então isso é como um teste de personalidade?” Compreendo a pergunta, mas a resposta mais honesta é não. E é precisamente essa diferença que torna esta ferramenta tão útil.

Um teste de personalidade costuma dizer quem somos. O HMI, a Análise Comportamental que uso nas sessões, ajuda antes a perceber como funcionamos. A diferença parece pequena, mas muda tudo.

Perfis, não etiquetas

Quando alguém percebe que tem tendência para, por exemplo, evitar o conflito, ou para precisar de ter tudo sob controlo, ou para decidir muito depressa, isso não é uma etiqueta que a define para sempre. É antes um padrão de funcionamento, uma forma de reagir ao mundo que foi sendo construída ao longo da vida, e que pode ser compreendida, trabalhada e, quando faz sentido, transformada.

O HMI dá nome a esses padrões. E dar nome a algo que sentíamos mas não sabíamos explicar costuma trazer um alívio genuíno. Não porque a pessoa se sinta arrumada numa caixa, mas porque finalmente consegue olhar para si própria com mais clareza.

Para que serve, na prática

Nas sessões, uso o HMI para ajudar a pessoa a perceber coisas como:

Porque reage de determinada forma em situações de pressão.
Que necessidades estão por trás de comportamentos que repete sem perceber porquê.
Onde estão as suas forças naturais, e onde vale a pena desenvolver mais consciência.
Como comunica, e como isso pode ser recebido de forma diferente pelos outros.

Não é um resultado fechado. É um ponto de partida para uma conversa mais honesta comigo própria.

O cuidado que tenho sempre

Nunca uso o HMI para dizer a alguém quem é. Uso para ajudar a pessoa a perceber-se melhor, a partir daquilo que já traz consigo. A ferramenta dá estrutura, mas quem interpreta o que faz sentido, e o que quer fazer com essa informação, é sempre a pessoa.

Porque no fundo é sempre esse o meu trabalho: não dizer às pessoas quem são, mas ajudá-las a olhar para dentro com mais clareza.






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